Alias Grace

Alias Grace

Sua classificação 0
10 1 vote

Creator

Creator

Elenco

Sarah Gadon isGrace Marks
Grace Marks
Edward Holcroft isDr. Simon Jordan
Dr. Simon Jordan
Zachary Levi isJeremiah/Jerome Dupont
Jeremiah/Jerome Dupont
Rebecca Liddiard isMary Whitney
Mary Whitney
Anna Paquin isNancy Montgomery
Nancy Montgomery
Kerr Logan isJames McDermott
James McDermott
David Cronenberg isReverend Verrenger
Reverend Verrenger
Paul Gross isThomas Kinnear
Thomas Kinnear

Video trailer

Synopsis

Grace Marks (Sarah Gadon) é uma jovem irlandesa de classe média baixa, que decide tentar a vida no Canadá. Contratada para trabalhar como empregada doméstica na casa de Thomas Kinnear (Paul Gross), ela é condenada à prisão perpétua pelo assasinato brutal do seu patrão e da governanta da casa, Nancy Montgomery (Anna Paquin). Passados 16 anos desde o encarceramento da imigrante, o Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft) se apaixona por Grace e fará de tudo para descobrir a verdade sobre o caso.

A nova minissérie da Netflix bate o martelo e consagra 2017 como o Ano de Atwood.

NOTA: 4,5 / 5,0

É quase impossível olhar para Alias Grace e não pensar imediatamente em The Handmaid’s Tale, a outra série produzida por um canal de streaming que adapta uma obra de Margaret Atwood. Apesar da associação imediata, as duas tramas são bastante distintas. Uma é uma ficção distópica situada no futuro, a outra, uma história de época que se baseia em fatos reais para imaginar outros fictícios. Mesmo assim, elas encontram território em comum quando discutem o lugar e o papel da mulher na sociedade, evidenciando como os padrões naturalizados podem facilmente passar despercebidos.

Alias Grace revela toda a sua fortaleza em um roteiro extremamente elaborado. O texto é montado quase como uma colcha de retalhos, e a referência dentro da própria série não está perdida — é uma analogia proposital. Enquanto vai e volta no tempo, a temporada compara de forma indireta a Grace Marks (Sarah Gadon) que vive a história com a que a conta; duas versões da mesma pessoa, numa contraposição entre o que é mostrado e o que fica transparente em suas palavras. A visão da jovem garota recém-chegada ao Canadá é uma de crença e gentileza; a da mulher condenada, oprimida e vista como celebridade, é de uma pessoa endurecida que aprendeu a observar de longe e usa esta tática como a sua melhor arma.

O formato epistolar, por vezes utilizado como uma muleta, aqui faz justamente o oposto. Os deslocamentos temporais não se tratam exatamente de condutores da história, mas de auxílios à voz principal, utilizados juntos à narrativa em primeira pessoa para mostrar os diferentes estados de compreensão de Grace. A composição é entregue de forma inteligente e visceral, prendendo o espectador do início ao fim como se seis episódios fossem apenas dois ou três. A história é hipnotizante; os personagens são ao mesmo tempo misteriosos e atraentes, seja pela gama de bons atores reunidos ou pela própria condução dos episódios — que pede sempre mais, independente do que aconteça.

Sabrina Lantos/Netflix

Pode-se dizer que Alias Grace seja uma ficção pós-moderna. A história se baseia em acontecimentos e personagens reais — Grace Marks e a acusação de assassinato são eventos verdadeiros, por exemplo — para criar uma segunda parte composta por personagens puramente fictícios. Ao misturar os conceitos de ficção e realidade, Alias Grace acaba não sendo especificamente uma ou outra. Seu grande objetivo, no entanto, não é se dedicar ao que é ou não factual a respeito de Grace Marks, tampouco responder se ela foi ou não responsável pelos crimes de que foi acusada, mas mostrar tudo o que existia ao seu redor e as influências diretas ou indiretas que sua criação, sua família e conhecidos imprimiram nela.

No fim das contas, justamente porque os fatos completos sobre os assassinatos de Thomas Kinnear (Paul Gross) e Nancy Montgomery (Anna Paquin), bem como a vida de Marks, são desconhecidos até hoje, a série mais levanta perguntas do que fornece respostas.  Há algo ao mesmo tempo corajoso e provocante em histórias que se dispõem a incomodar o público sem entregar a chave do mistério, a não solucionar tudo o que propõem e fazê-lo de maneira convincente. É o mais próximo da vida real que qualquer narrativa será capaz de chegar.

Navegando por essas águas, Alias Grace é um olhar para dentro da psique humana, e sendo a narradora uma personagem não inteiramente confiável, tudo acaba sendo um jogo em que cada espectador é capaz de escolher a ótica por que deseja enxergar. O ceticismo e a crença estão igualmente expostos. Basta escolher.

Sabrina Lantos/Netflix

Alias Grace não incorpora nem de longe a mesma ousadia cinematográfica de The Handmaid’s Tale — a câmera de Mary Harron (Psicopata AmericanoUm Tiro Para Andy Warhol) é simplista, mas dinâmica e competente. Apesar disso, a série acaba se destacando em outros campos; vai longe com a interpretação excepcional de Sarah Gadon, completamente à vontade na personagem em todas as suas nuances, e com o roteiro adaptado por Sarah Polley que captura o ar bucólico do Canadá na Era Vitoriana com uma sutileza quase violenta.

O que o livro de Atwood estende longamente em sequências introspectivas, Polley transforma em uma contraposição que depende muito do talento de Gadon e daqueles em seu entorno. Cada gesto, cada olhar, cada pausa para respiração conta. Ao mesmo tempo que retrata uma simplicidade encantadora na convivência e na rotina dos personagens, impõe um contraste perturbador através dos costumes e da dominação masculina, da política conservadora e do ambiente de opressão a ideias libertárias, ao corpo feminino e à sexualidade.

Por isso, olhar para Alias Grace não é especificamente olhar para o passado, mas utilizá-lo para compreender o presente, sobretudo um presente em que o uso do poder para abafar casos de assédio e violência sexual é pauta diária. Duas décadas se passaram da publicação do livro, e desde então Sarah Polley veio tentando fazer uma adaptação audiovisual. A série chega às telinhas mais atual do que jamais esteve, para consagrar 2017 como o ‘Ano de Atwood’. Parece que aquele seu professor de História do colégio estava certo. A evolução humana anda em círculos.

 

Alias Grace
Alias Grace
Título Original Alias Grace
Primeira data do ar Sep. 25, 2017
Última data do ar Oct. 30, 2017
Temporadas 1
Episódios 6
Status Ended

Temporadas e Episódios

1 Season 1 Sep. 25, 2017
10
  • 1 - 1
    Alias Grace: 1x1 Sep. 25, 2017
  • 1 - 2
    -- Oct. 02, 2017
  • 1 - 3
    -- Oct. 09, 2017
  • 1 - 4
    -- Oct. 16, 2017
  • 1 - 5
    -- Oct. 23, 2017
  • 1 - 6
    -- Oct. 30, 2017

Filmes Relacionados

The White Princess
Born to Kill
Ray Donovan
Riviera
Daytime Divas
Genius
CSI: Nova York
Fear the Walking Dead
Dark Matter
Game of Thrones
Anne
Riverdale

Comente

Nome *
Add a display name
Email *
Your email address will not be published
Website